Os óculos de Lennon, o olhar de Paul

Ao que parece, John Lennon considerava os Beatles uma extensão de seu círculo pessoal de relações. Partindo dessa premissa, podemos supor ser este o princípio e o fim da maior banda de rock de todos os tempos. Se em torno de si Lennon reuniu brilhantes talentos como Paul McCartney e George Harrison, também era capaz de impor a presença de seu amigo Stuart Sutcliffe na banda, embora o rapaz não tivesse a menor inclinação musical. Ainda assim, os Beatles foram adiante e arrumaram as malas rumo a Hamburgo, na Alemanha, e, principalmente, rumo ao seu primeiro amadurecimento artístico-musical. Após a saída do pseudo-baixista Stuart e do baterista Pete Best, e o ingresso do irreverente Ringo Starr, o fabuloso quarteto de Liverpool experimentou a explosão de um sucesso internacional jamais imaginado nem experimentado por outro artista. O ano de 1963 foi, definitivamente, o ano da beatlemania. E cinco anos depois, o círculo pessoal de John Lennon exigia a presença constante de Yoko Ono na mesma medida em que se desinteressava visivelmente pela manutenção da parceria criativa com Paul McCartney e, por extensão, com o que sua banda representava a partir de 1968. É claro que a gradativa e inevitável separação dos Beatles não é uma consequência direta da presença de Yoko, mas da postura de John, do desgaste nas relações interpessoais e musicais entre todos, e de equivocadas decisões administrativas que se sucederam depois da morte do empresário Brian Epstein. Mas o impacto que deixaram na música popular e na indústria do entretenimento foi irreversível. E regularmente chegam às livrarias, novas obras que se propõem a mergulhar nesse emaranhado de genialidade, excentricidade, ousadia e o que mais aparecesse. Dessa vez, é Jonathan Gould, autor de Can’t buy me love: os Beatles, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos [tradução: Candombá. São Paulo, Larousse do Brasil, 2009], quem busca estabelecer um interessante painel das referências culturais que permearam a carreira dos Beatles, desde suas origens, em Liverpool, até sua tempestuosa dissolução.

Um dos méritos da obra está em compor um retrato individual de cada beatle sem perder o foco de como a união de suas forças criativas deram origem a tamanho fenômeno de público e de realização artística no universo da música pop. Ouvir cada uma das faixas gravadas pelo grupo, enquanto se efetua a leitura dos pertinentes comentários de Gould, amplia a compreensão de detalhes que quase sempre passam despercebidos, ou que não se costuma dar a devida importância. Talvez por isso, destaco a primorosa dissecação do White Album (The Beatles, 1968), na qual a análise faixa a faixa do mais caótico e disperso (e nem por isso menos fascinante) disco dos Beatles estabelece o potencial quase que exato do quanto eles conseguiriam chegar como força criativa conjunta e suas particulares fragilidades, cada vez mais latentes, puxando-os para a conscientização que há algum tempo já trilhavam caminhos distintos. Os paralelismos que o autor apresenta ao longo da obra enriquecem bastante a leitura. É curioso acompanhar o mergulho de George Harrison na cultura indiana, não apenas na música, e o impacto disso tanto nos Beatles (das notórias faixas Love You To, With You Without You e The Inner Light à desastrosa experiência com o guru Marrarishi), quanto na proliferação da sonoridade indiana na música ocidental e a utilização da cítara indiana por diversos grupos ingleses da época. Mas Harrison tornou-se sobretudo um brilhante compositor de clássicos pop incontestáveis como Here Comes the Sun, Taxman, Whille my Guitar Gently Wheeps e a magistral Something. Mas os Beatles é o resultado primordial da colaboração entre John Lennon e Paul McCartney, e a relação estabelecida entre os dois define cada uma das fases da história do grupo. Analisar essa relação implica em tentar compreender um importante capítulo da história cultural do século XX, e Jonathan Gould realizou um interessante e coeso painel a partir desse caleidoscópio de referências que definiram os anos 60, o comportamento juvenil, a cultura de massa, o mercado fonográfico e a música ocidental a partir de então. Um livro para ler e ouvir.

| Publicado originalmente no jornal Diário do Povo, Teresina,  coluna Toda Palavra, em maio de  2010

Entrevista | “Literatura é compromisso e disciplina”

Entrevista concedida a Mara Vanessa, para a faculdade CEUT, em 2009

Mara Vanessa | Como a literatura entrou na sua vida?

Adriano Lobão Aragão | Difícil saber. Interesso-me por arte desde criança, sobretudo desenho, música, cinema e literatura, mas confesso que tinha um certo distanciamento em relação à poesia. Gostava de algumas coisas, mas não parecia uma atividade que me cativasse muito. Esse afastamento foi se transformado em fascínio quando comecei a descobrir Manuel Bandeira e, algum tempo depois, H. Dobal. Hoje, o estudo da poesia é parte intrínseca à minha maneira de observar o mundo. Quanto aos ficcionistas, posso dizer que a literatura estabeleceu-se em minha vida com as primeiras leituras que fiz de Machado de Assis, no final dos anos 80.

Mara | A literatura é uma arte. Por que ela é considerada como tal?

Adriano | Creio que a literatura, como qualquer arte, consiste numa busca pela expressão estética adequada ao contexto.

Mara | De que forma a literatura pode mudar consciências, provocar reações e operar como agente de transformação social?

Adriano | O mundo organiza-se através da linguagem, e o mergulho em busca de um dos limites desse universo é justamente operado pela literatura e pelas demais manifestações artísticas.

Mara | Alguma recomendação e/ou mensagem para quem quer fazer da literatura uma ferramenta de trabalho e de vida?

Adriano | Que trabalhe sempre e jamais esqueça que ler os autores fundamentais é mais importante que arriscar-se no diletantismo. Literatura, para mim, é compromisso e disciplina, única forma de libertação.

Sonetos

Sonetos. Coletânea de sonetos organizada por Ovídio Poli Junior [Paraty, RJ: Selo Off Flip, 2025].

A língua portuguesa é pródiga em sonetistas. Dedicaram-se ao gênero Camões, Bocage, Antero de Quental, Florbela Espanca, Gregório de Matos, Machado de Assis, Olavo Bilac, Francisca Júlia, Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes e, mais modernamente, Cecília Meireles, Mario Quintana, Glauco Mattoso e tantos outros.

No rastro dessa tradição, o Selo Off Flip lançou chamada para publicação de uma antologia que reúne sonetos com ampla variedade formal, em estilo tradicional (com métrica e rimas) ou em estilo moderno: versos livres (sem métrica) e brancos (sem rimas).

Esses textos vêm agora a público. Boa leitura!

A UMA ABELHA QUE SE PRENDEU NO ÂMBAR
[Adriano Lobão Aragão]

em beleza, delícia e decoro
pela tarde divaga a breve abelha
desejando a eternidade envolvê-la
quando na seiva arriscasse seu pouso

mas que outra forma no âmbar deixaria
a delicada essência de teu voo
muito além dos limites desse corpo
no pouso impresso na matéria fria

quem sabe o tempo ou o corpo somente
revestido na resina do instante
quem sabe o voo colhido nesse ventre

quando nenhum outro engenho enfim alcance
sem que a morte para este fim se invente
ao colher a beleza que lhe encante

Entrevista | “Vejo minha obra em constante mutação”

Entrevista concedida ao poeta, professor e ensaísta Wanderson Lima, em 2004.

Wanderson Lima | Seu primeiro livro, Uns Poemas (1999), apresenta traços evidentes de influência da estética marginal; seu trabalho mais recente, Entrega a Própria Lança na Rude Batalha em que Morra, segundo colocado no Concurso Torquato Neto da Fundac 2003, palmilha outro caminho e, segundo me parece, recebe influxo de autores como H. Dobal e João Cabral de Melo Neto, entre outros. Comente como e por que se deu essa mudança.

Adriano Lobão Aragão | Vejo minha obra em constante mutação. Esse é o único aspecto que me induz a continuar escrevendo: a possibilidade de trilhar outros caminhos, independente de serem avanços ou retrocessos. Uns Poemas foi escrito na sombra da estética marginal, principalmente (ou exclusivamente) dentro do contexto piauiense; e isso fica patente na obra. Há muita coisa que deveria ter sido mais desenvolvida, mas a pressa em publicar atrapalhou um pouco. Já existia a influência de Dobal em meu primeiro livro, mas a informação sobre as influências na transição para o segundo livro está correta. Poderia citar inúmeras outras, mas prefiro deixar esse serviço para os leitores que eu venha a ter. Porém, aceito o fato que foi através dessas influências que minha poesia buscou abandonar os pressupostos estéticos do primeiro livro e mergulhar na intertextualidade e na releitura.

Wanderson | Um dado novo importante de sua nova fase poética é o intenso jogo intertextual que você realiza. A maneira como você monta esses jogos denuncia um débito a T.S. Eliot. Você poderia explicitar melhor esse ponto? Qual o impacto da poética eliotiana em sua nova fase?

Adriano | Vi no Eliot dos Poemas de Ariel e The Wast Land elementos que gostaria de ver associados a contextos piauienses. Essa ânsia me perturbou por muito tempo e gerou alguns poemas bem mais “eliotizados” que preferi excluir. Após esse exercício, a influência já estava estabelecida de maneira que não precisei me preocupar com os resultados. Na primeira parte de Entrega a própria lança…, há trechos de poemas de Eliot reescritos, juntamente com Safo, Horácio, Gregório de Matos e outros. Os exercícios mais radicais estão na parte intitulada A classe operária vai ao paraíso.

Wanderson | Recentemente caracterizei a cultura literária piauiense como autofágica, o que decerto desagradou a algumas pessoas. Se alguém vier aqui para falar de Homero ou Dante terá um público minguado; mas se o tema for, por exemplo, Torquato Neto ou Fontes Ibiapina (sem querer desmerecê-los ou compará-los ao autor grego e ao italiano) o auditório decerto lotará. Você concorda com essa avaliação?

Adriano | Não apenas na literatura, mas em nossa cultura artística em geral, temos esse bairrismo. Aliado a esse aspecto, é necessário lembrar que vivemos numa sociedade onde, com as justas exceções, costuma-se escrever mal e falar demais. E isso não é um “desprivilégio” apenas daqui. Costuma-se tratar mais de autores que de obras e literatura. Aliado a isso, falar de Eliot, Homero, Keats, Safo, é ser chamado de diluidor, pretensioso ou simplesmente ignorado. Mas por outro lado, se a cultura literatura piauiense não tratar dela mesma, quem o fará?

Wanderson | Como professor de ensino médio, não se revolta em ver obras de valor literário questionável serem adotadas em vestibulares enquanto uma autora do porte de Alvina Gameiro é completamente esquecida?

Adriano | Podemos estender também para o ensino médio. Conviver com indicações para lá de absurdas é o mínimo. O desafio de formar leitores é bem mais complicado sob a sombra de um vestibular que reduz o trabalho do professor a treinar seus alunos a marcar cruzinhas em gabaritos, como se a vida nos trouxesse respostas prontas. Espero que essas cruzes não sejam de nosso futuro cemitério intelectual. Quanto a Alvina Gameiro, trata-se de uma das mais injustiçadas escritoras que tenho notícia. Curral de Serras é uma obra que tem muito a oferecer à nossa cultura.

Wanderson | Fale sobre a gênese da revista e site Amálgama. A seu ver, em que Amálgama pode contribuir no contexto literário piauiense?

Adriano | Amálgama nasceu da falta de espaço para divulgação dos primeiros textos que escrevíamos, mais ou menos em 1996. Convidei o poeta Hermes Coelho, o contista Sérgio Batista e os professores Jeferson Probo e Washington Ramos e iniciamos um trabalho que deveria misturar produção e jornalismo literário. Disso resultou um misto de revista e fanzine que é publicado, por enquanto, com periodicidade irregular. Também um site, que nasceu da fundamental colaboração da programadora Glauciene Brito. Nem todos continuam trabalhando conosco atualmente, a periodicidade continua irregular, mas já contamos com vários novos colaboradores, como Rodrigo Petronio, Aquiles Rique Reis, Delmo Montenegro, entre outros. Creio que a contribuição seja a de estabelecer mais um canal de debate e divulgação. De preferência que não seja associado a uma estética, a um grupo ou geração. A intenção é criar um espaço aberto. Porém, a falta de recursos financeiros e tempo hábil nos limita bastante.

Wanderson | Por mero diletantismo, como você mesmo frisa, tem traduzido poemas de autores de língua inglesa, como Emily Dickinson. Que aprendizado tem tirado desse exercício?

Adriano | Isso é sério? Minhas traduções são apenas exercícios sem maiores consequências. Divulgo algumas no site Amálgama apenas para instigar comentários, críticas. Atualmente, trabalho com cummings e Keats. Cada um deles nos traz aprendizagens distintas. No caso de cummings, a organização gráfica influenciando o próprio contexto do poema é fascinante e praticamente intraduzível. O jogo entre a estética e o conteúdo é o que mais me instiga nessa didática.

Adriano Lobão Aragão  nasceu em Teresina e é poeta e professor, autor de Uns Poemas (1999). Idealizador da revista, site e editora Amálgama.

Wanderson Lima é poeta, ensaísta e professor. Escreveu os livros de poemas “Escola de Ícaro” (2000) e “Morfologia da Noite” (2001).

Antologia selvagem

Antologia selvagem. Um bestiário da poesia brasileira contemporânea. Coletânea de poemas organizada por Alexandre Bonafim, Claudio Daniel e Fábio Júlio [Franca, SP: Cavalo Azul, 2025].

A antologia reúne poetas de diversas regiões do país e propõe uma leitura sensível do animal como força imaginativa, signo crítico e campo de afetos. Cada texto convoca uma relação singular entre corpo, linguagem e mundo, fazendo da animalidade um espaço de inquietação e beleza. O livro se torna, assim, território de múltiplas vozes, aberto a experimentações poéticas que partem da natureza, da memória e da vida urbana para reinventar a presença do animal na literatura brasileira atual.

Participaram do livro, dentre muitos outros poetas, Ademir Assunção, Adriana Lisboa , Adriano Espínola, Adriano Lobão Aragão, Alexei Bueno, André Dick, Antonio Carlos Secchin, Beth Brait Alvim, Clarisse Lyra, Claudia Roquette-Pinto, Dora Ferreira da Silva, Elson Fróes, Leila Guenther, Marco Lucchesi, Marcos Siscar, Maria Carpi, Mariana Ianelli, Micheliny Verunschk.

A UMA ABELHA QUE SE PRENDEU NO ÂMBAR
[Adriano Lobão Aragão]

em beleza, delícia e decoro
pela tarde divaga a breve abelha
desejando a eternidade envolvê-la
quando na seiva arriscasse seu pouso

mas que outra forma no âmbar deixaria
a delicada essência de teu voo
muito além dos limites desse corpo
no pouso impresso na matéria fria

quem sabe o tempo ou o corpo somente
revestido na resina do instante
quem sabe o voo colhido nesse ventre

quando nenhum outro engenho enfim alcance
sem que a morte para este fim se invente
ao colher a beleza que lhe encante

Haicai – Do Japão ao Sertão

Haicai – Do Japão ao Sertão. Coletânea de poemas organizada por José De Nicola e Cineas Santos [Teresina: Oficina da Palavra, 2025].

Participaram do livro: Adriano Lobão Aragão, Carlos Emílio Faraco, Cineas Santos, Climério Ferreira, Dalila Teles Veras, Demetrios Galvão, Dilson Lages Monteiro, Ernâni Getirana, Francisco Magalhães, Graça Vilhena, J.L. Rocha do Nascimento, José De Nicola, Marina Campelo, Marleide Lins, Menezes y Morais, Paulo Moura, Penélope Martins, Rogério Newton, Roseana Murray, Rubervam Du Nascimento, Suzana Vargas, Tanussi Cardoso, Thiago E e Val Melo

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caminho e morada
natureza em silêncio
perseverança da lesma

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mercado do mafuá
cheiro verde
na banca de tempero

O poema é o bicho

Que tipo de bicho é o poema? Neste livro, doze poetas transformam versos em bichos (e vice-versa). Uns miúdos, outros imensos, todos pulsando vida. Gata, girafa, formiga, lagarta, passarinho, tigre, borboleta… cada criatura se reinventa em palavra. Leia devagar: pode ser que uma joaninha resolva acompanhar a leitura pousando no seu ombro. Se preferir, pode até colorir. [Adriano Lobão Aragão / Thiago E]

uma zoologia poética

A coletânea de poemas, a ser lida a seguir, reúne doze poetas contemporâneos, arregimentados do Piauí, do Maranhão e da cubana Pinar del Rio. A aliança pretende nos dizer da vitalidade, da atenção ao sopro da poesia de nosso tempo. Além disso, “o poema é o bicho” aprofunda a escolha e traz todos os poemas encilhados em mimese zoológica, sumarizando uma espécie de bestiário poético. A mobilidade verbal dos poemas investe na percepção diante dos bichos e seus condicionantes biológicos, suas curiosidades instintivas, além de lhes serem dadas outras atribuições semânticas e imagéticas pelo olhar do(a) poeta, inspecionando assim nosso irresoluto dialético entre natureza e cultura.

Outra concentração aqui encontrada atende à poética da brevidade. A concisão, a celebração da síntese como conduto estrutural do poema, o breve contrapondo-se ao caudal lírico são a fatura resultante. Alguns assumem as lições dos poetas japoneses Bashô e Issa com a essencialidade do haicai, essa tradição que se espalha há tempos pelo poema brasileiro e que já ganhou dicção pindorâmica. E como a língua portuguesa não dispõe de escrita ideogramática para a possibilidade visual do poema, a coletânea recorre ao signo gráfico como representação, cada poema recebe sua nomeação iconográfica. Aos cuidados de Adriano Lobão, os traços também avultam em concisão e seguem a economia de informação, trazendo a figuratividade no contorno e no residual do grafismo em preto e branco.

Esta apresentação seguiu também a sintaxe da brevidade, restando ao leitor e leitora a complementaridade com a recepção a esta fauna poética.

Feliciano Bezerra
Professor de literatura (UESPI),
cantor e compositor

O poema é o bicho. Coletânea de poemas organizada por Marleide Lins e Thiago E, com ilustrações de Adriano Lobão Aragão [Teresina:  AvantGarde, 2025]. Participaram do livro: Adriano Lobão Aragão, Aliã Wamiri Guajajara, Cineas Santos, Demetrios Galvão, Laís Romero, Luiza Cantanhêde, Marian Campelo, Marleide Lins, Nelson Simón, Sergia Alves, Thiago E e Wanderson Lima.

eu percebi
a grandeza da natureza
pela primeira vez
quando vi uma girafa

caminho e morada
natureza em silêncio
perseverança da lesma

Antologia Poética Brasil-Cuba

Organizada por Marleide Lins, Jone Clay Macedo (Brasil) e Nelson Simón (Cuba), a Antologia Poética Brasil-Cuba reúne, em edição bilíngue (portugês/espanhol), poemas de diversos autores brasileiros e cubanos,  incluindo Adriano Lobão Aragão, Caio Negreiros, Dalila Teles Veras, Demetrios Galvão, Laís Romero, Nayara Fernandes, Thiago E, Wanderson Lima, dentre outros.

Na seção de poetas brasileiros contemporâneos, encontramos os poemas de Adriano Lobão Aragão:  Linha de mão / Línea  de mano [pág 38-39]; As pedras a deusa / Las piedras la diosa [pág 40-41]; Cemitério São José / Cementerio San José [pág 42-43]. A tradução dos referidos poemas foi feita por Floriano Martins.

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AS PEDRAS A DEUSA

há quem saiba se diante destas pedras
em feminina forma revelada
talvez atendendo ao nome de deusa
um dia habitaram este mundo
todos os súditos rezando atentos
mas quem sabe se profana ou sagrada
a palavra proferida no lábio
de cada filho abandonado ao culto
inevitável de enigmas e anseios
nem se sabe se eram estes os apelos
à deusa destes ritos esquecidos
não legados aos pósteros bastardos
toda humana descendência
alheia ao enlace entre pedra e deusa

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LAS PIEDRAS LA DIOSA

hay quien sabe si frente a estas piedras
en forma femenina revelada
tal vez dado el nombre de diosa
una vez habitaran este mundo
todos los súbditos orando atentamente
pero quién sabe si profana o sagrada
la palabra dicha en el labio
de cada niño abandonado al culto
inevitable de enigmas y anhelos
no se sabe si se eran apelaciones.
a la diosa de estos ritos olvidados
no legados a bastardos posteriores
toda descendencia humana
ajena al vínculo entre piedra y diosa

Poesia, música e sala de aula

Vagner Ribeiro e Adriano Lobão Aragão apresentam músicas, poemas e atividades que colaboram com o desenvolvimento da percepção artística e valorização da cultura popular, além de debaterem a importância dessas atividades dentro de sala de aula. Salip2 – Salão do Livro de Pedro II, 24 de maio de 2025.