Entrevista concedida a Mara Vanessa, para a faculdade CEUT, em 2009
Mara Vanessa | Como a literatura entrou na sua vida?
Adriano Lobão Aragão | Difícil saber. Interesso-me por arte desde criança, sobretudo desenho, música, cinema e literatura, mas confesso que tinha um certo distanciamento em relação à poesia. Gostava de algumas coisas, mas não parecia uma atividade que me cativasse muito. Esse afastamento foi se transformado em fascínio quando comecei a descobrir Manuel Bandeira e, algum tempo depois, H. Dobal. Hoje, o estudo da poesia é parte intrínseca à minha maneira de observar o mundo. Quanto aos ficcionistas, posso dizer que a literatura estabeleceu-se em minha vida com as primeiras leituras que fiz de Machado de Assis, no final dos anos 80.
Mara | A literatura é uma arte. Por que ela é considerada como tal?
Adriano | Creio que a literatura, como qualquer arte, consiste numa busca pela expressão estética adequada ao contexto.
Mara | De que forma a literatura pode mudar consciências, provocar reações e operar como agente de transformação social?
Adriano | O mundo organiza-se através da linguagem, e o mergulho em busca de um dos limites desse universo é justamente operado pela literatura e pelas demais manifestações artísticas.
Mara | Alguma recomendação e/ou mensagem para quem quer fazer da literatura uma ferramenta de trabalho e de vida?
Adriano | Que trabalhe sempre e jamais esqueça que ler os autores fundamentais é mais importante que arriscar-se no diletantismo. Literatura, para mim, é compromisso e disciplina, única forma de libertação.
