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Os tempos e a forma
[dEsEnrEdoS, 2017]


Entre áridos anseios dispersos
(2017)


entre folhas a parreira



mas de tua tez aflora
mais que evidente elegia
de fruta e aurora

e uva talvez teus seios
ou tua vulva
que entre folhas a parreira
sementes espalha

e de tuas mãos sobrepostas
como se a si segurasse
suavemente em essência

sendo o próprio pomo
o que emana teu âmago
em colheita inteira

somente em si




música, quando calada



música, quando calada
em harmonia emana
silencioso gesto
de acorde delicado

e ausente, imagem se define
sendo presença exata
de imaginário traço
em concreta abstração

e quando sem vestes se revela
lindamente vestida
de teu corpo somente
dança imóvel teu ser

e sei desta invisível escultura
deitada impressa no tempo
que sempre única se faz
querer e amar apenas mais

não sei qual lascivo arabesco
tua morena pele esconde
onde agora cego vislumbro
a escura linguagem da luz

e se toca a minha a tua mão
sei que teu passo acompanho
ainda quando não ouça
a vaga música em que danças




a queda o voo


o que sei dos anjos se caídos ou suspensos
se terríveis ou afáveis o que nem de mim sei
se farei a devida lembrança do nome dos seus
ou se terei os restos da herança do êxtase
de santa teresa para além de toda delícia
e delito que a linguagem atordoa não sei
se no seio de cada ser ressoa o gozo
suspenso no ínfimo instante do voo
 
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